terça-feira, 14 de março de 2017

Gangaji - Fortalecendo a Mente Preguiçosa para a Investigação




Quero começar a nossa conversa com a garantia de que nem a força da mente ou fragilidade da mente têm alguma coisa a ver com a graça da descoberta da Verdade de quem tu és.
Não há requisitos pontuais nisso. Está além da nossa compreensão mental. Influenciam profundamente nossa mente, mas um momento de Graça, um vislumbre da Verdade não é uma coisa que possa ser conquistada pelo treinamento restritivo da mente, e não é algo que é negado à mente fraca.

A questão de melhorar ou disciplinar na mente o suficiente para desenvolver uma resistência mental, é para que quando haja traição da mente, da sua própria fonte, que é a Verdade dela mesma, essa traição possa ser reconhecida.

Em uma mente fragilizada não há reconhecimento da traição. De repente há um sentimento de sofrimento, ou há uma perda da espontaneidade e do inesperado da Verdade de nós mesmos.

Uma mente forte é suficientemente disciplinada e capaz de reconhecer o sofrimento, de escutar nossa própria história de sofrimento e investigar realmente - 'O que eu quero?'. Nessa averiguação estar disposto a perder tudo, estar disposto a nada ter, para que a Verdade possa mais uma vez ser reconhecida como a nossa própria Verdade que sempre esteve aqui.

Então é de grande importância.

Nós estamos em corpos, é de grande importância ter um corpo saudável. Temos mentes, é muito importante ter um mente forte. Vivemos no nosso planeta, vale a pena trabalhar em prol de um planeta limpo e funcional, mas nada disto tem alguma coisa a ver com a Verdade de ti mesmo.

É uma forma de venerar a Verdade de ti mesmo. É uma forma de permanecer fiel à Verdade de ti mesmo.

A Verdade de ti mesmo não vai e vem. A atividade da mente vai e vem.

Quando estivermos dispostos a estar conscientes dessa ida e vinda, então também podemos estar conscientes da escolha e é daí que aparece essa resistência.

Mas na realidade, talvez, resistência não é o termo apropriado. É mais a firmeza e flexibilidade. A mente forte e flexível apoiando a Verdade que é mais profunda do que a mente.

Há muitas formas de desenvolver mentes fortes, e parte da educação é desenvolver uma mente forte aprendendo o alfabeto, aprendendo a ler, aprendendo aritmética. É uma forma de potenciar a mente na concentração e atenção. É parte da nossa experiência humana reconhecer que temos uma vida melhor quando temos uma mente que não seja mais selvagem e indomável do que fraca.

No domínio espiritual, claro que a meditação é a forma com que desenvolvemos a mente no geral, quer seja pela concentração, concentração em um mantra ou uma oração, numa visualização, num estado, numa ideia, numa crença. E muitas vezes o que eu vi, quando as pessoas vinham visitar Papaji, porque no princípio, quando eu estava lá, os meditadores Budistas vinham visitar Papaji ou os meditadores Vipassana em particular, tinham mentes muito fortes. Conseguiam sentar-se durante horas em meditação sem se moverem, sem um estremecimento, mal respirando, e no entanto não conseguiram mais cedo do que qualquer outra pessoa. E perdiam-no, se conseguissem-no, tão depressa como todos os outros.

E percebi na altura que a concentração muito intensa podia muitas vezes embutir um desequilíbrio, tal como os fisiculturistas. Num ginásio podemos ver os músculos do pescoço, ombros e braços totalmente desenvolvidos. E tão desenvolvidos que são inflexíveis. Não conseguem movimentar-se com facilidade.

Assim, a propósito desta questão da mente forte, inclui sempre a mente flexível e reconhece quando em alguma prática que tenhamos se desenvolve uma faceta da mente à custa das outras facetas. Porque uma mente forte, uma mente verdadeiramente forte, que é flexível, é capaz de abrir-se, é capaz de render-se, é capaz de estar quieta apenas, da mesma forma que é capaz de reconhecer quando há encerramento e não abertura, quando há sofrimento, quando há uma história que está a ser acompanhada.

As correntes do condicionamento são imensas, grandes experiências de poder, mas a mente forte e flexível tem a capacidade de estar consciente dessa oscilação do condicionamento sem combatê-lo, sem negá-lo e sem condescender, o que nos leva de volta ao tema principal desta conversa em apoio da Graça que já te reivindicou, é no movimento da mente que há a força e flexibilidade para voltar à quietude, para não satisfazer o condicionamento, os gatilhos, os hábitos. Não negá-los e não lutar contra eles. Estar quieta simplesmente. E nisso movimentos do condicionamento muito poderosos dão à costa e são arrastados de volta.

E és verdadeiro então, na tua mente, na tua vida, nesta existência para aquilo que te chamou, aquilo que é a Verdade de ti mesmo.

1 comentário:

Anónimo disse...

Margarida, se puder traduz esse vídeo.

https://www.youtube.com/watch?v=xbFVcwz4wPc